Hoje é o dia do meu pai, dia que ele completa mais um ano de vida. Dia que ele celebra mais um ano de luta, batalha, força, sabedoria e muita dedicação à sua família e amigos queridos. Dia que todos reafirmamos a fortaleza que ele é. Dia que vemos o quanto cresceu, o quanto batalhou e conseguiu, o quanto nos ensinou a sermos pessoas melhores, batalhadoras, sensíveis.

Dia que reafirmamos também o quanto é importante o amor pela nossa família. Dia que festejamos e agradecemos a Deus pela sua presença e que por muitos e muitos anos vamos festejar esse dia.

Um senhor de uma força interior, com amor pela vida e pela família admirável.

Quando eu era ainda pequetita, meu pai me ensinou a ouvir boa música. Pela casa e nas festas de família se ouvia um bom chorinho, paixão vinda do Sr. Jocôndio Bernardino Gomes, mais conhecido com o Seu Joca, meu avô, pessoa que pedimos sua benção ainda hoje, e em respeito a sua pessoa não sentamos em sua mesa para qualquer refeição com chapéu.

Entre grandes paixões do meu pai e do Seu Joca, lá estava Luiz Gonzaga. Ainda hoje, não consigo ouvir qualquer música sem me emocionar.

Luiz Gonzaga, com sua sanfona cantava e falava do seu respeito pelo seu pai, Zé Januário, um homem tinhooooso e assim eu cresci ouvindo as histórias de Luiz – o Rei do Baião, de Januário, de Aloisio contando, de Joca cantando e daí surgiu a Januária, uma mulher forte, tinhosa, que tem muito amor pela vida, pela família, que gosta de música boa, viagens, festa e tudo de bom que as pessoas podem nos oferecer, e acima de tudo tem verdadeiro amor e admiração ao seu pai.

Em homenagem ao Dia do meu Pai, Senhor Aloisio, que também é um homem tinhooooso, muito conhecido por aqueles mais simples por Seu Luis, vou deixar aqui um pouquinho do Rei do Baião, um homem modesto, que teve o dom de unir as pessoas, fazendo todos cantar e dançar ao som de sua voz rouca, grave, com riso solto, carregado de sotaque e sempre acompanhado de sua inesquecível sanfona.

Respeita Januário
Luíz Gonzaga
Composição : Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira

Quando eu voltei lá no sertão
Eu quis mangar de Januário
Com meu fole prateado
Só de baixo, cento e vinte, botão preto bem juntinho
Como nêgo empareado
Mas antes de fazer bonito de passagem por Granito
Foram logo me dizendo:
“De Itaboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó, Januário é o maior!”
E foi aí que me falou meio zangado o véi Jacó:
Luíz respeita Januário
Luíz respeita Januário
Luíz, tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai, Luíz
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!

Eita com seiscentos milhões, mas já se viu!
Dispois que esse fi de Januário vortô do sul
Tem sido um arvorosso da peste lá pra banda do Novo Exu
Todo mundo vai ver o diabo do nego
Eu também fui, mas não gostei
O nego tá muito mudificado
Nem parece aquele mulequim que saiu daqui em 1930
Era malero, bochudo, cabeça-de-papagaio, zambeta, feeei pa peste!
Qual o quê!
O nêgo agora tá gordo que parece um major!
É uma casemiralascada!
Um dinheiro danado!
Enricou! Tá rico!
Pelos cálculos que eu fiz,
ele deve possuir pra mais de 10 ontos de réis!
Safonona grande danada 120 baixos!
É muito baixo!
Eu nem sei pra que tanto baixo!
Porque arreparando bem ele só toca em 2.
Januário não!
O fole de Januário tem 8 baixos, mas ele toca em todos 8
Sabe de uma coisa? Luiz tá com muito cartaz!
É um cartaz da peste!
Mas ele precisa respeitar os 8 baixos do pai dele
E é por isso que eu canto assim!

“Luí” respeita Januário
“Luí” respeita Januário
“Luí”, tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
Nem com ele ninguém vai, “Luí”
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai!

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