Depois da moda do Stand Up, das peças de comédia como “Melhores do Mundo”, “Terça Insana” e outros no mesmo estilo, fazia muito tempo que eu não via uma peça tão boa, desde “Otelo”, de Shakespeare.

Tenho que confessar que os “stand up” são divertidos, mas não ao ponto de eu querer ver todos. Acho que já enjoei e o meu humor não é tão bom assim para o tipo de piadas, mas a alguns dias atrás, pude ver algumas peças que me surpreenderam, e duas merecem muita atenção.

A primeira é a comédia “As centenárias” com Andrea Beltrão e Marieta Severo. Essa dupla, lotou a plateia do Teatro Rio Vermelho, levando todos a um experiência para lá de prazerosa.

As Centenárias são duas são carpideiras do interior nordestino, e passam a vida de velório em velório, chorando os mortos e contando histórias. Histórias que em sua maioria beiram o irreal, e muito interessante como o irreal se insere de forma tão natural no cotidiano delas, e no da gente também.

A atuação de Andrea e Marieta, não tem como discordar, está para lá de maravilhosa. Além do cenário bem surpreendente que interage em todo o momento da peça.

A outra peça teatral que merece uma super atenção é “Simplesmente Eu, Clarice Lispector” com Beth Goulart interpretando Clarice Lispector. Beth não apenas interpreta com tanta elegância, como também escreveu e dirige a peça, em um cenário extremamente minimalista.

“Foram dois anos de muita leitura, usei minha intuição para selecionar os textos, trechos de entrevistas e cartas. Revi tudo com uma lente de aumento e tentei trazer para o palco uma sensação compartilhada da Clarice”, conta a atriz.

Beth Goulart interpretando Clarice me arrancou suspirou, me deixou emocionada e ainda me fez dispertar uma vontade gigante em reler tudo que eu já havia lido de Clarice, e ainda ler tudo aquilo que eu não li.

Se você tiver oportunidade, veja essas peças. Verá quantas maravilhosas atrizes temos em nosso país.

Fascinante Clarice, Fascinante Beth!!!

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