Engraçado como meus pensamentos parecem serem lidos e falados por aqueles amigos mais próximos. Será se são bruxos, ou vivem momentos parecidos com os meus? Ou realmente é essa afinidade que nos une?

Hoje, em um bom papo com um grande amigo, seguido de um café com bolo, pude perceber sua felicidade amorosa e ao mesmo tempo, para mim, foi como uma forma de repensar observações que tem se repetido de pessoas tão próximas a mim quando o assunto seria: amor!!

Tenho uma certa impressão que quando estamos sozinhos, queremos nos deparar com uma possibilidade de relacionamento. Uma companhia ao acordar, um carinho no cinema, um beijo mais quente na boate, uma companhia para um vinho, cinema, corridas, viagens…. Quando estamos diante de uma possibilidade de relacionamento sempre nos perguntamos se a pessoa em questão é a mais interessante. Pensamos nas qualidades e defeitos, nas afinidades, o que o outro tem a oferecer, no que poderíamos ganhar. Inicialmente pensamos nas afinidades, nas características em comum que nos garantiriam que a relação funcionaria bem.

Esquecemos de nós mesmos, da nossa maneira de ser, dos nossos gostos e desgostos, qualidades e defeitos, o que temos a oferecer, o que o outro pode ganhar com nossa companhia.

Esse ideal muitas vezes, com tantas exigências, pode ser tornar muito mais distante de ser alcançado, o tão desejado final feliz, a alma gêmea. Um ideal de complemento.

Com o coração aberto, e com tantos detalhes para se escolher o parceiro, percebo que tenho uma tendência a fazer cálculos errados e acabar gostando da pessoa errada. Seria uma atração usurpadora pela dificuldade? Pelo desafio que encontro ao tentar fazer com que a pessoa se torne melhor? Me torno sempre responsável por aquilo que nem eu mesma, no consciente, queria, mas que talvez, esteja intrínseco no subconsciente.

Será se buscamos nas pessoas algo que perdemos em nós mesmo???

São muitas expectativas, muitos sonhos acumulados, o que faz a grande maioria, estar sempre se queixando ou pela falta de amor, ou por amor demais, o que acaba sufocando.

Outro fator que me chama bastante atenção na maioria das pessoas é quando, depois de tanta luta, tanta queixa, conseguem uma proximidade e uma relação amorosa com aquele que tanto se desejava. A impressão que tenho, é que o sentimento posterior se torna: a decepção. O amor que era rosa choque, se torna salmão, o interesse acaba, a paixão se cala e mais uma vez a frase se repete: acho que ele não era tão bom quanto eu pensava.

Desculpas e mais desculpas. Qualquer desagrado se torna uma prova de incompatibilidade do outro.

Por outro lado, em regiões e sociedades mais tradicionais, mais paternalistas e pouco cosmopolita, se encontra casais, que por uma mera necessidade de aparentar uma felicidade extrema, permanecem juntos sem a mera atração um pelo outro, ainda sim, uma falta de respeito, onde a busca por parceiros fora do casamento se torna constante e freqüente. Onde foi parar todo o encantamento???

Sinto constantemente nas pessoas, um medo de amar. Medo das surpresas, das incertezas. Medo de arriscar.

Uma satisfação com o amor, torna-se cada vez mais rara. Se espera o amor perfeito, fica insatisfeito. Se não espera, a insatisfação é maior ainda. Mas ao mesmo tempo, é importante se pensar que é impossível que alguém nos satisfaça por completo.

Alto, baixo, rica, pobre, gordo, magro, sonhadora, metódica, ela é tímida, ele é cafajeste….até quando iremos medir as pessoas à nossa volta pela sua imagem??? Porque no primeiro deslize, anulamos totalmente o amor, a paixão e tentamos enquadrar a pessoa em um modelo padrão.

Vamos lá, tenha coragem para enfrentar sem medo aquela vontade contínua de “ser amado”!!!

Como diria o bom e velho Drummond: “Amar se aprende amando!”

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